terça-feira, 3 de novembro de 2009

Com que roupa eu vou?

Sexta-feira. Aula na faculdade no turno da noite. 20 anos. Jovem e comum. Com que roupa eu vou? Depois do acontecido na semana passada, quando uma aluna foi hostilizada pela roupa que usava, acredito que esta seja a pergunta mais frequente entre as estudantes da Universidade Bandeirante de São Bernardo do Campo (SP). A “confusão” ganhou espaço na Imprensa e, claro, veio acompanhada de diferentes opiniões.

Alguns contra a universitária. “Ela estava com roupa insinuante”. O chocante é que a jovem não foi atacada na rua nem no ônibus que pegou para chegar à aula. Outros perguntaram pela democracia, pelo direito de usar o que quiser... Muitos pontos foram questionados, mas senti falta de apenas um detalhe: nossas jovens não são influenciadas pela televisão? Já paramos para relembrar como se vestem as alunas de “Malhação”?

Independente da influência, essa questão não se resume ao tipo de roupa que a jovem estava usando; mas ao comportamento dos alunos. Isso não seria vandalismo? Não acredito que aquela multidão masculina nunca tenha visto uma mulher pelada para ficar tão excitada com um vestido curto...
O pensamento coletivo é algo perigoso. E se não há limites nem punição para ele... Da mesma forma que esses alunos ficaram excitados por um vestido curto e causaram baderna, deixando a própria Universidade sem controle, eles podem ficar “excitados” para matar um colega, violentar uma mulher, espancar um professor... E aí? Chama a polícia, de novo?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Da janela


No fim de semana, um jornal da cidade trouxe uma notícia sobre assaltos no Sudoeste, bairro onde moro. Os bandidos adotavam um método antigo, apertar o interfone e checar se há alguém em casa. Sem resposta, eles invadiam o prédio e assaltavam os apartamentos vazios. Não há novidade nesse tipo de notícia... Nem mesmo informação se a segurança no local foi reforçada.

Pra mim, estaria tudo tranquilo se não fosse meu interfone tocar às cinco da manhã. Acordei com ele “disparado” e fiquei branca... Acredito que o sangue parou de circular por um minuto. E ao mesmo tempo percebi que um minuto é tempo suficiente para se pensar em muitas coisas... “Cadê o porteiro?” “Quem está interfonando?” “Incêndio?” “Assalto?”

Agarrei o celular e fui para a varanda de minha casa. Se abrirem minha porta, eu pulo da janela! No visor do telefone já estava o número 190. Alguns minutos se passaram e eu escutei alguém batendo na porta da vizinha. Ufa, era o louco o ex-namorado dela. Quase que liguei mesmo para o 190, foi uma briga de tremer o prédio. Mas, eu só pensava em parar de tremer minhas pernas e voltar a respirar...


O interessante de tudo isso não é esse episódio do meu condomínio, mas as influências que as notícias causam em nosso dia a dia. Somos bombardeados com notícias de assaltos, assassinatos, sequestros... O medo ele existe, nem que seja no inconsciente. Mas dá mesma forma que a mídia provoca essa sensação, ela também pode influenciar o maníaco. Quando lemos detalhes de um crime, matamos nossa curiosidade. Mas, talvez, os detalhes atiçam a imaginação do criminoso... Espero que nem o meu, nem o seu interfone toque nesta madrugada.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Triplo

Nos últimos dias, um triplo assassinato, em Brasília, roubou a cena e conseguiu despachar a gripe suína do noticiário. Ninguém aguentava mais a tal gripe e os especialistas com suas recomendações. O triplo assassinato é mais atraente... é uma novela, sabe... São capítulos. Há mais de 15 dias, os brasilienses acompanham passo a passo as “diligências” (repórter adora essa palavrinha) da polícia e as especulações dos meios de Comunicação para tentar desvendar o crime, que parece “perfeito”.

No fim de agosto, um casal de advogados e sua empregada doméstica foram mortos brutalmente com mais de 70 facadas em um apartamento no Plano Piloto. Os corpos só foram encontrados três dias depois. Por quem? Pela neta do casal, que trabalha no escritório dos advogados... No dia, ela estava com seu namorado, perito da Polícia Federal.

Coisa de família! É a polícia também diz isso: “nossa linha de investigação suspeita o envolvimento de algum familiar ou mesmo alguém muito próximo à família”. Não cabe nenhuma avaliação sobre a investigação da polícia, mas vale alguns questionamentos: em que outro caso a polícia precisou fazer mais de 10 perícias para tentar achar algo? Nem no caso Nardoni... Não seria coincidência um prédio, em pleno Plano Piloto, não ter câmeras de segurança? Tá, tem mas não filma. O que adianta? O assassino não saberia disso? Se a polícia tem a linha de investigação, por que fica pedindo ajuda de testemunhas? Ainda faltam provas? Ou a verdade é que a polícia está mais perdida que cego em tiroteio...
Não, não teremos as respostas. Até porque, especulação dá Ibope. Eita, guerra local... Cada veículo de Comunicação tentando andar com a melancia na cabeça. Bom para o telespectador brasiliense que tem uma novela exclusiva. Eu nem vejo “Viver a vida”, “Bela a feia”, “Paraíso”; mas te confesso que não perco um capítulo do “Triplo assassinato”...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Encontro cantado


No fim de semana passado, o presidente da República se encontrou com o ex-ministro da Fazenda. E sabe o que o presidente disse ao ilustríssimo ex-ministro?


“Você não vale nada, mas eu gosto de você...”

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Maquiagem especial

Rita sempre foi diferente das outras meninas. Não era nem um pouco previsível e os seus gostos não dava mesmo para comentar. A escolha da profissão foi um momento como ela: imprevisível. Quase matou a mãe do coração... “Se mamita tivesse morrido seria um incentivo pra colocar a mão na massa”. Rita decidiu ser maquiadora de defunto, como os populares gostam de dizer.

Talento ela tinha. Todos os mortos que pintava deixa com cara de vivo. “Parece até que dormiu maquiado”, comentavam nos velórios. Para ela, a profissão era como qualquer outra, a diferença era suportar o monólogo. “Gosta dessa sombra? E o batom pode ser vermelhinho, você tá muito pálida. Vai usar óculos?”

Os amigos de Rita tinham pavor de tocar na mão dela. “Quanto analfabetismo...” A moça era feliz e desenvolveu um dom: o de falar sozinha. Se o dom vem para o bem, é o que ninguém sabe responder. Depois de deixar um defunto prontinho para ser velado na manhã seguinte, Rita seguiu para um ponto de ônibus. No meio do caminho, tinha um assaltante. Quanto mais ela falava, mais o bandido pedia silêncio. “Ta doidona? Ta falando só?” Ela respondia: “tô, desenvolvi esse dom porque sou maquiadora de defunto.” Ele replicava: “tu vai virar defunto.”

A promessa se concretizou. O bandido desistiu de aguentar Rita falando só. Dois tiros! “Tá lá o corpo estendido no chão”. Choque para a família e amigos. Mas trágico mesmo foi o enterro de Rita. Sem base, sem pó compacto, sem sombra, sem batom, sem perguntas... Parece que a única maquiadora de defunto tinha dormido e se esqueceu de levantar pra trabalhar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O começo


Ele publicitário. Eu jornalista. Nós... sentados em um restaurante, almoçando e curtindo nosso domingo. Ele me escutava... eu falava dos planos, das ideias. Falava da vontade de expor minha opinião de uma forma abusada. Falava da vontade de cutucar, ainda que não significasse nada para os outros, mas para mim seria importante. Talvez, a minha parte estaria sendo feita...

As horas passaram. Conversamos muito! Eu escutava, ele falava. Incentivava meus planos, dava dicas, sugestões para que minhas vontades virassem realidade. Do restaurante seguimos para o Jockey Club. Inesquecível! Enquanto os cavalos corriam e o publicitário ganhava as apostas, meus pensamentos corriam para fecundar a ideia... Quando voltasse para Brasília, criaria um blog. Foi assim a “concepção” do Cutucando.

O publicitário foi o primeiro a ver e ler as coisas do blog. Depois, tive que ampliar o acesso. Alguns amigos, “eternos professores”, leram a primeira bateria de texto. Ih, quantas edições! Minha irmã, advogada, também editava. Para ela, tudo era motivo de virar ação judicial contra mim. Enquanto os primeiros cutucadores se manifestavam, eu buscava especialização, inclusive, sobre “as leis da internet” (que descobrir não existir)...

28 de agosto de 2008. Cutucando o Ponto entrou no ar! E eu entrei em um mundo virtual de satisfação pessoal e profissional. Foram mais de 100 textos publicados neste primeiro ano, inúmeros seguidores e cutucadores. Foram amigos de longe conquistados (especial André e Gabi), foram novas descobertas, novas tendências, novos desafios. E nesse mundo de novidades, a mesma certeza: amo escrever. E é muito mais prazeroso quando não há edições, não há censura, não há estilo, não há regras. O que há é o desejo de dizer algo para alguém... Obrigada a todos!