Nos últimos dias, um triplo assassinato, em Brasília, roubou a cena e conseguiu despachar a gripe suína do noticiário. Ninguém aguentava mais a tal gripe e os especialistas com suas recomendações. O triplo assassinato é mais atraente... é uma novela, sabe... São capítulos. Há mais de 15 dias, os brasilienses acompanham passo a passo as “diligências” (repórter adora essa palavrinha) da polícia e as especulações dos meios de Comunicação para tentar desvendar o crime, que parece “perfeito”.
No fim de agosto, um casal de advogados e sua empregada doméstica foram mortos brutalmente com mais de 70 facadas em um apartamento no Plano Piloto. Os corpos só foram encontrados três dias depois. Por quem? Pela neta do casal, que trabalha no escritório dos advogados... No dia, ela estava com seu namorado, perito da Polícia Federal.
Coisa de família! É a polícia também diz isso: “nossa linha de investigação suspeita o envolvimento de algum familiar ou mesmo alguém muito próximo à família”. Não cabe nenhuma avaliação sobre a investigação da polícia, mas vale alguns questionamentos: em que outro caso a polícia precisou fazer mais de 10 perícias para tentar achar algo? Nem no caso Nardoni... Não seria coincidência um prédio, em pleno Plano Piloto, não ter câmeras de segurança? Tá, tem mas não filma. O que adianta? O assassino não saberia disso? Se a polícia tem a linha de investigação, por que fica pedindo ajuda de testemunhas? Ainda faltam provas? Ou a verdade é que a polícia está mais perdida que cego em tiroteio...
Não, não teremos as respostas. Até porque, especulação dá Ibope. Eita, guerra local... Cada veículo de Comunicação tentando andar com a melancia na cabeça. Bom para o telespectador brasiliense que tem uma novela exclusiva. Eu nem vejo “Viver a vida”, “Bela a feia”, “Paraíso”; mas te confesso que não perco um capítulo do “Triplo assassinato”...