
Um amigo me perguntou se colecionava algo. Eu disse: sim, histórias. E esta é mais uma delas. Já atuei como produtora de telejornal local. E sempre pautava os leilões do Detran – Departamento de Trânsito do DF. Carros e motos velhos são vendidos por um preço menor do que o de mercado, por causa da situação dos veículos. Nossa reportagem sempre mostrava o factual ou o serviço. Mas o meu desespero era maior, encontrar um personagem, uma pessoa, que comprou alguma coisa no leilão e explicar o motivo daquela conquista...
Dia desses fiquei de cara com o meu tão sonhado personagem. Conheço um grupo de músicos e, mais que o som, foi a criatividade que me deixou apaixonada por ele. Sentamos em um café da cidade e lá vem a história. O grupo curte um samba e em cada bar, café, esquina que ele para, vira atração. E vira motivo pro local cobrar couver... (que pagamos com orgulho)
De couver em couver, o grupo enche a poupança. Em um anúncio do leilão, os integrantes resolveram participar... Saíram de lá com uma “van”. O dinheiro aplicado foi suficiente para quitar as dívidas do veículo e transformá-lo. A “van” virou instrumento para uma novidade na cidade: o Samba móvel.
Atualmente, o grupo divulga em um e-mail, de contatos “selecionados”, dizendo onde estará estacionado o “Samba móvel”. E lá começa o som... “Foram me chamar, eu estou aqui o que é que há. Foram me chamar, eu estou aqui, o que é que há. Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho, mas eu vim de lá pequenininho, alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho...”



