quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Big Data da inadimplência

Depois dos recentes recuos do governo, o de hoje foi bem visto! A suspensão nessa quarta-feira da presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, sobre os dados dos eleitores, que seriam entregues de “mão beijada” para a Serasa, foi aprovada! Que susto, achei que teríamos o “Big Data da Inadimplência”.

O sistema eleitoral no Brasil é um dos mais completos quanto às informações pessoais de um cidadão. E se você, caríssimo, está em dívida com a Justiça Eleitoral terá sérios problemas. Um simples exemplo, você não votou na última eleição e não regularizou a situação. Anota aí a dor de cabeça: não pode tirar carteira de identidade, nem passaporte, renovar matrícula em instituição de ensino oficial, abrir conta bancária, não pode participar de concurso público e não pode obter empréstimos em instituições governamentais...

E qual o interesse da Serasa nisso? Oh, deixa a ingenuidade fora desse papo. Nossos dados (sim, pessoais) valem ouro para “poderosas empresas digitais”. A Serasa é grande detentora de análise de crédito no Brasil. Então, não daria certo misturar “desobediência civil” com liberação de grana. Imaginem se inadimplência eleitoral virasse inadimplência comercial. Ah, não! Acabaria com a festa da classe C, D, E...

Calcula aí a diferença! Você não vota, nem justifica. Depois de 4 anos, resolve acertar sua “dívida” com a Justiça Eleitoral. Paga uma multa de R$ 3,00 e pronto! Nome limpo. Agora faça a conta “comercial”. Você pega um empréstimo, não paga e depois de 4 anos decide acertar o que deve. Acho bom ter um “bem” pra vender... A taxa média dos juros nesses empréstimos é de 6%, às vezes chega à 14%.

SPC! Só pra seu conhecimento, é uma burocracia tirar um nome da lista de devedores. Apesar da Serasa afirmar que os dados são públicos, saiba que é outra burocracia pesquisar se você tem alguma dívida que impeça alguma compra. A burocracia é sobrenome do cidadão, as empresas têm facilidade “pra te botar no SPC”. Tanto é que o número de indenizações por danos morais cresceram no Brasil. Entendeu a equação? E depois desse susto, você ainda vai reclamar que o Obama monitora a sua rede social?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Quer pagar quanto?

Depois da gripe na semana passada, que muitos chamam de “gripe do PMDB”, a presidenta Dilma voltou com tudo à cena. O palco, no último dia do semestre, foi São Paulo. Dilma e prefeito da cidade, Fernando Haddad, anunciaram o PAC Paulista. Serão investidos R$ 8 bilhões na prefeitura para combater enchentes, para criar 15 mil unidades do Programa Minha Casa, Minha vida e para melhorar a mobilidade urbana (transporte).

A “nova” estratégia da presidenta para recuperar sua imagem, que desde junho viu sua popularidade cair mais da metade, principalmente, após as manifestações nacionais, parece ser “quer pagar quanto?”

Liberar R$ 8 bilhões para a maior zona eleitoral do Brasil, não é bondade, é politicagem mesmo. Por que não investir 8 bilhões de reais no norte brasileiro, onde pessoas e animais ainda morrem de fome? As obras do PAC nacional viraram motivo de “zombação”. Essas obras já tiveram seus calendários ajustados inúmeras vezes. O programa que tem validade até 2014, ou seja, menos de um ano, até hoje concluiu cerca de 56% do que está previsto. E sua vida melhorou? Ah tá...

A grana vai rolar solta! Lá no Congresso, senadores e deputados voltam do recesso animados com o anúncio da liberação, feito pela senhora presidenta, de R$ 2 bilhões para custear emendas parlamentares. Seria melhor dizer: tem grana no bolso para o início da pré-campanha política! "Libera geral".

E na Fazenda, não na do Mantega, na da Record, a briga rola solta por míseros R$ 2 milhões. Míseros porque perto da grana que rola na política brasileira, seria melhor guardar a bunda pra sentar no Congresso e não expor de graça na TV. A conta, amigo, seja da política, seja da TV, é você quem paga!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Tomô Doril, PT sumiu

Não teve remédio para segurar a enxaqueca do PT com as últimas pesquisas Datafolha divulgadas nesse fim de semana. No sábado (29), a pesquisa Datafolha informou que a popularidade da presidenta Dilma caiu 27%. A maior queda presidencial registrada nos últimos tempos. Ganha apenas o presidente Collor, quando confiscou a poupança dos brasileiros. Além de Dilma, Haddad, prefeito de SP, também esteve na imprensa. A pesquisa revelou que o número de entrevistados que consideravam o prefeito ruim ou péssimo subiu de 21% para 40%. Ih...

Na avaliação de alguns especialistas, esses números não estão associados apenas aos protestos das últimas semanas. Muitos políticos esquecem que o povo tem opinião, apesar de não ter educação! Até ficou bonito pra presidenta porque alguns reconheceram que ela ouviu a voz das ruas; mas não pegou bem essa demonstração de imediatismo político, onde a presidenta acabou “dando um tiro no pé”. Vários coleguinhas do governo ainda questionam essa tentativa de saída de mestre de Dilma. Esse tal plebiscito vai dar o que falar... “Já tá dando!”

Popularidade mesmo quem ganhou, nesse fim de semana, foi o Felipão. Brilhou a seleção brasileira, “o campeão voltou”! Mais de 70 mil torcedores lotaram o Maracanã no RJ. O hino brasileiro saiu forte da garganta do povo. Bonita a cena; pra mim, mais um protesto pacífico do povão. Sorte da Dilma, que desta vez, não inventou misturar política com futebol. Imaginem a vaia saindo da garganta de 70 mil?!?

Sumido também está o todo-poderoso Luiz Inácio Lula da Silva, eu gosto de chamar de Lulinha. Mais de 15 dias de manifestações e o silêncio de Lulinha impera. A Folha até que tentou “lançar chama” na semana passada, dizendo que Lula criticou atitudes de Dilma. “Barbeiragem”. Não sei se foi o que Lulinha disse sobre as saídas de Dilma ou se foi do jornal. Apesar de ter feito a reportagem em cima do relato de três interlocutores do ex-presidente, o jornal também divulgou que Lula negou as críticas à Dilma. Imagino que a próxima pesquisa Datafolha vai revelar o aumento no consumo de Doril, né?!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Alguém aperta a tecla SAP

A semana começou com pacotão que “parou” o Brasil. A presidenta anunciou 5 pactos em resposta à voz das ruas. Jornalistas, políticos, especialistas e até o povão ficou sem entender, ou entenderam muito mal, o que na prática aconteceria. Plebiscito? Constituinte? Royalties? Reforma Política? Crime Hediondo?

A imprensa até que tentou explicar esse carnaval. Antes mesmo de deixar o povão “entendido”, a presidenta desistiu da constituinte. A melhor “definição” para essa bagunça toda, escutei na rádio CBN no comentário de uma setorista de Brasília. “Dilma governa por marqueteiros e atropelou o Congresso quando não discutiu o assunto com os aliados”. E se tivesse discutido, lembraria que o deputado Henrique Fontana, do mesmo partido que a senhora Dilma, já pensou em uma proposta de reforma política que foi ignorada pelo governo e oposição. Se a coisa já estava feia no bonde dos governistas, imagem agora com esse desgaste de imagem da presidenta, com esse “despreparo”.

Bem... É até ruim falar em desgaste da imagem. A presidenta vem investindo bastante em seu visual. Hoje mesmo a Folha de São Paulo traz uma matéria de Fernanda Odila e Filipe Coutinho sobre os “investimentos” dela  para ficar bonitinha com maquiagem e cabelo. Para os pronunciamentos oficiais, Celso Kamura, cabeleireiro de Dilma, embolsa R$ 3.125,00. Oh locô, meu! No salão dele em São Paulo, um penteado custa R$ 330,00 e a maquiagem R$ 350,00. Certo está o “amigo” Tiririca, “pior que tá num fica”!
 

A voz da rua clamou por mudanças. Aos poucos, elas estão chegando. “Baibai” PEC 37. Tarifa zero que antes era impossível já ganha novas versões. A Câmara aprovou royalties para Educação e Saúde. O ministro da Saúde anunciou ontem a abertura de 35 mil vagas para médicos atuarem no SUS. Mas, senhor Padilha, vai ter material, leito, equipamentos para esses profissionais trabalharem direitinho? De tudo que está sendo dito nesses últimos dias só falta mesmo é apertar a tecla SAP.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Quando gigantes acordam

O gigante acordou e foi pra rua! E incomodou muita gente... Não, não estou falando das pessoas que reclamaram do trânsito fechado na principal avenida do país – Av. Paulista, nem daquelas que tiveram suas lojas depredadas e saqueadas. Estou falando daquela gente que brinca de governar o país. Nos últimos dias, só queria ser uma mosquinha para presenciar cada reunião não revelada, sequer divulgada.

Lula e Dilma embarcaram para SP para “resolver” a situação na capital. Estranho, achei que o prefeito dava conta de fazer isso sozinho. E Lula?!? Qual é mesmo o cargo dele no governo atual? Depois desse encontro, esquecido pela imprensa, o prefeito e o governador de SP anunciaram a revogação do aumento da tarifa do transporte público.

Eu gritaria “dois gigantes acordaram”. Talvez, se eu fosse apenas uma telespectadora, nem iria reparar nas mudanças editorias e na cobertura jornalística de uma das maiores emissoras do Brasil. Teve gente que achou que ficaria sem a novela "das oito". O gigante tentou olhar para outro lado. Quis continuar com o discurso que a paixão do brasileiro é o futebol. Lá se foi o brilho da Copa das Confederações. Pôxa, bem agora que a seleção do Felipão estava se dando bem.

Outro gigante tentou ficar calado. Não deu certo! Um pronunciamento, que eu chamaria de última hora, foi feito. Os marqueteiros e os redatores políticos já foram melhores com os discursos, heim? Falou, falou, falou... Prometeu, prometeu e prometeu. Resolveu? O último fim de semana foi marcado por novas manifestações em todo o país. Vai ser difícil fazer o gigante dormir de novo...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

QI – Quem indica

Nessa terça-feira (6), aconteceu a sabatina da nova ministra do STF, Rosa Weber. Pra quem não se lembra é assim que funciona: para ocupar uma cadeira de ministro do STF, o “candidato” precisa ser indicado pelo presidente da República e ser aprovado pelo Senado Federal. Só depois disso, ele pode ocupar a cadeira. E pra sentar nela, um outro ministro tem que sair. E só sai depois que se aposenta, aposentadoria compulsória, quando completa 70 anos. Mas, continua com o salário de ministro; porque o cargo é vitalício...

Refrescada a memória, vamos ao que interessa. Acompanhei as três últimas sabatinas, a da atual ministra Rosa foi pela imprensa (mas acompanhei). Em todas, ficou muito claro o motivo das indicações: politicagem (ok, isso não é novidade). Um dos novatos, que foi indicado ainda pelo presidente Lula, tem a seguinte trajetória profissional: foi professor de Direito Constitucional e Direito da Família, foi assessor parlamentar, foi advogado do PT, por indicação foi advogado-geral da União e agora é ministro do STF. Fácil assim!

Apesar de Rosa Weber ser juíza de carreira e das Associações considerarem positiva a indicação dela para a vaga no Supremo, a nova ministra só atuou na área trabalhista. “Lulinha” e “Dilminha” justificam essas indicações assim: são cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada. Mas é a experiência? A vivência na área? Não precisa?

Ah, entendi. Advogado só é advogado se passar no exame da OAB (decisão do STF), jornalista não precisa de diploma para exercer a profissão (decisão do STF) e ministro do STF, que vai atuar na mais alta corte do país, só precisa ter um QI – quem indica...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dominó ministerial

Depois de onze meses sem escrever para o Cutucando o Ponto!, semana passada tomei a decisão de voltar a cutucar. Não existe um porquê, apenas a vontade de continuar escrevendo sobre coisas que ainda me intrigam e que merecem ser cutucadas. Confesso que São Paulo me afastou um pouco da Política e me envolveu de tal maneira em outras áreas que fiquei tímida para voltar a cutucar...

4 janeiro de 2011 foi minha última cutucada... Quase um ano se passou e, impressionante, o assunto hoje é o mesmo do 4 de janeiro: como seria a gestão Dilma com uma equipe ministerial tão duvidosa? Na cutucada de janeiro, eu repliquei “críticas” feitas aos ministros em cerimônias de posse, escritas pelo jornalista Reinaldo Azevedo (Revista Veja). Nem eu, nem Reinaldo acertamos os motivos do dominó ministerial; mas previmos que mais cedo ou mais tarde ele aconteceria.

Sete ministros deixaram seus cargos acusados de corrupção e muito desvio de verbas públicas, o recente aviso veio de Lupi – ministro do Trabalho. A presidente do país com certeza ficou “feliz” com o trabalho de investigação da Imprensa, aliás, foi por meio dela que a presidente tomou conhecimento da roubalheira nos ministérios. Mas e aí? Sai ministro, entra ministro... Parece simples, né? Roubam! Descobrem! Deixam o cargo! E a vida continua, como na letra de um “sambista”: deixa a vida me levar, vida leva eu...

E enquanto a vida nos leva, parece que nos esquecemos de cobrar da Imprensa e do próprio governo respostas e punição para quem meteu a mão “no nosso queijo”. Um dia desses, a pauta da Imprensa era quantos milhões ou bilhões (nem lembro mais) haviam sido desviados em uma década de tanto roubo.

Precisamos mudar o foco desse dominó ministerial... Não podemos ficar esperando a próxima peça a cair. Precisamos cobrar respostas sobre as peças que saíram do jogo. Afinal de contas, estamos falando de dinheiro público, ou seja, dinheiro do povo, dos pagadores de impostos...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Tudo novo de novo

Um novo ano começou e a gente sempre deseja tudo igual: saúde, paz, sucesso, dinheiro no bolso e sei lá mais o que... Todo ano a gente faz a mesma coisa, a não ser em ano de novo governo. Ai na listinha, a gente precisa “desejar” a sorte...

Apertem os cintos, passageiros de 2011! Pela primeira vez na história do Brasil, uma mulher assume a presidência da República. Alguns especialistas acreditam no poder da nova “presidenta”, outros acham que ela não passa de fantoche... É melhor desejar sorte, pra nova presidenta, que já começou o novo governo enfrentando uma crise. No terceiro dia de governo, teve que suspender as nomeações do segundo escalão. Se ela é discípula de Lula, eu não sei; mas já deu sinais de que aprendeu bem a lição com o “ex-presidente”. Quando questionava sobre a crise, a nova presidente disse: “Que crise?”

Sorte também aos “camaradas” do Congresso para que a Casa não vire um grande picadeiro, afinal de contas um palhaço (analfabeto) foi eleito... Sorte aos ministros! Muita sorte, porque no dia da posse deles, o que vimos foi um festival de besteiras. O jornalista Reinaldo Azevedo, da Revista Veja, retratou bem esse festival em seu blog. O novo ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, admitiu que a nova presidenta gostaria de ter colocado no cargo alguém mais experiente, afinal de contas, ele não entende nada sobre o assunto... Só nos resta então desejar sorte, já que “capacidade” não tem...

Apertem os cintos, passageiros de 2011! É tudo novo, de novo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cartinha de Natal

Raimunda deixou o interior do Maranhão. Nos últimos dois anos, ela viu o sol quadrado. “Entrou em cana” acusada de tráfico por causa de um ex-namorado. Quando teve a liberdade nas mãos, decidiu fazer tudo diferente... Chegou na capital federal para ser diarista. De segunda a sábado, Raimunda trabalhava. Nunca abriu uma gaveta para espiar o que tinham as patroas. Nunca levou uma fruta sem autorização da dona da casa. O medo de ver o sol quadrado sempre reinou em sua memória.

O Natal é a época que Raimunda mais gosta, apesar de passar em casa sozinha... Longe da família e sem um peru na ceia. Antes da meia noite, ela acende uma vela, faz uma oração e depois liga a TV na Globo. Vê o especial da noite e abre seu único presente de Natal, que chegou pelos Correios.

Todos os anos, Raimunda escreve uma cartinha para papai Noel e coloca nos Correios. A empresa já ficou conhecida pela campanha natalina. As cartas são colocadas à disposição das pessoas e cada uma que adota a cartinha dá o presente pedido. Os Correios realizam a entrega “do sonho”.

Nas cartas de Raimunda, ela sempre pede cesta básica. Ela escreve como se fosse uma criança, de 11 ou 12 anos. Os Correios só entregam o presente, nunca questionaram “cadê sua filha?” Neste ano, Raimunda decidiu fazer diferente. Pediu na cartinha uma boneca de cabelos longos. “Papai Noel, pode ser qualquer buneca bunita, eu só quero que ela tenha os cabelus cumpridos e bem bunitos...”

Foi na casa de uma de suas patroas que Raimunda aprendeu a mandar cartinhas para os Correios. A boneca de cabelo longo chegou! Raimunda nunca soube que o presente saiu das mãos de sua patroa... E a patroa nunca soube que Raimunda lia e escrevia...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Seria engraçado se não fosse trágico

No último domingo, o Fantástico apresentou uma reportagem sobre o desempenho do palhaço Tiririca nas provas de alfabetização dele. O palhaço foi submetido ao teste porque, de acordo com a Constituição Federal, para exercer cargo público, o “sujeito” não pode ser analfabeto... E Tiririca teve mais de milhão de votos para o cargo de deputado federal.

Mas hoje em dia o que é ser analfabeto? Saber escrever o próprio nome já basta? Que isso! É coisa do passado escrever o nome... Veja o caso Tiririca. O palhaço errou 8 palavras de um ditado com 10. Levou 3 minutos para ler uma frase completa. Não soube diferenciar o som do “s” nas palavras e ainda assim pode ser deputado federal, com um salário de mais de 12 mil reais por mês. Sem falar dos benefícios, né...

Tiririca não foi considerado analfabeto. O que ele seria então? Seria engraçado se não fosse trágico. Um palhaço na Câmara dos Deputados. Representando o povo, assinando projetos para o povo. Ops, no caso do Tiririca deve ser “deixando sua impressão digital”... Imagina um discurso dele no plenário da Câmara. Ler ele não vai. Já deu provas disso. Ou decora ou faz o que sempre soube fazer: palhaçada.

Talvez, ele esteja no lugar certo... Ali o que mais tem é palhaçada. Nós é que estamos no lugar errado... Carregamos nariz vermelho; mas não estamos num picadeiro!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tamanho não é documento; mas é notícia

O homem mais alto do mundo, o turco Sultan Koser, invadiu as manchetes brasileiras nos últimos dias. Em um programa semanal, o homem mais alto do mundo aparece curvado... pra entrar no elevador e chegar ao local onde daria a entrevista ao apresentador... No início da semana, ele estava em uma das avenidas mais conhecidas do Brasil – Avenida Paulista, em SP. Em seguida concedeu uma coletiva aos jornalistas e virou manchete. Você conhecia cinema? Não! Quantas namoradas você já teve? Eu nunca namorei. Como foi sua infância? Morava em um bairro pobre...

Por que o homem mais alto do mundo é notícia? Porque veio conhecer o Brasil? Porque sofreu um tumor que o deixou com 2,47m? Porque é “engraçado” ver coisas diferentes nos jornais? Concordo que o inusitado merece espaço; mas neste caso... Sultan é considerado o homem mais alto do mundo por causa de um tumor, que só foi curado aos 24 anos. Por que? Era uma criança pobre e sem acesso à Saúde. Se isso for inusitado, então, cabe a imprensa procurar por outras anomalias e dar espaço nas manchetes.

Imaginem quantos obesos mórbidos poderiam “concorrer” ao título de “mais gordo do mundo” porque não conseguem uma cirurgia bariátrica no SUS... E por isso são gordos (e correm risco de vida). Tamanho, pra mim, seria notícia, se Sultan fosse o homem mais alto do mundo com saúde ou um jogador de basquete... Não um homem triste, com dificuldades para andar e com uma trajetória de vida que é um drama. Os 2,47m de Sultan parecem pequenos perto dos reais sofrimentos dele...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tecla branca

Naquele domingo, João Paulo Rodrigues da Silva não iria ao clube com sua família. Naquele domingo, seus pais e sua irmã mais velha, Bianca Rodrigues da Silva, acordaram cedo para ir à escola. “Oh, pai, a Bianca tem aula hoje?” O pai respondeu que João também iria para escola e quando voltassem almoçariam todos juntos.

No fogão, a comida estava sendo preparada pela mãe. Feijão preto, arroz branco, carne de panela. “Oh, mãe. Você vai fazer batata frita?” A mãe respondeu que não. Bianca lembrou que todos precisavam levar para escola um documento com foto. A regra agora tinha mudado.

Eram quase 11h quando todos saíram de casa. Chegaram à escola e lá uma fila... “Oh, pai, por que as pessoas estão paradas aqui?” A escola estava cheia de eleitores. Na fila, João só escutava o apito das urnas. Primeiro foi Bianca. Depois a mãe e depois o pai, de mãos dadas com João.

João, de apenas 8 anos, observou o pai apertar as teclas. Ele reparou nas cores: branca, verde e amarela. “Oh, pai, não tem a vermelha?” O pai respondeu que não. Depois de cumprido “o direito”, a família Rodrigues da Silva voltou para casa. A mãe foi para o fogão, o pai para frente da televisão e Bianca para o computador. João foi o único que ficou perto da mãe.

Durante o almoço, Bianca tentou iniciar um diálogo sobre as eleições e seus votos. Os pais respondiam com monossílabos. Entre as frases perdidas na mesa do almoço, uma causou indigestão: “O papai só apertou a tecla branca...”

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Tudo igual...

Mais uma vez somos espectadores da disputa eleitoral, ou melhor, do circo eleitoral... De quatro em quatro anos, tudo se repete... O Tribunal Superior Eleitoral divulga um monte de “novas-e-brilhantes” iniciativas (pra grego ver), candidatos preparam “estrategicamente” planos de governo, mídia realiza infinitos debates entre os “concorrentes” aos melhores salários do país... E por aí segue a repetição.

Até a “história” das multas é igual. A multa eleitoral é aplicada ao candidato que não obedece à lei eleitoral. Ou seja, desrespeita uma norma, uma regra... Belo exemplo, não? Nem entrou no cargo que concorre, mas já mostra que lei (no Brasil) não foi feita mesmo para cumprir...

Lula, Dilma, Serra e companhia ilimitada já foram multados, nesta disputa eleitoral, por propaganda antecipada. Os valores parecem piada... Descumprir a lei custa apenas R$ 5 mil. E outra: o candidato pode ser multado inúmeras vezes sem nenhuma penalidade para campanha, partido ou para ele mesmo. A regra é básica: paga-se a multa e segue o jogo...

Sem utopia ou “pieguisse”, mas nesse ponto a Justiça falha. Precisávamos de mais punho contra essas ações ilegais. Novos eleitores são conquistados por meio dessas propagandas. É como se fosse (ou é) um vale-tudo para conquistar votos. Mas quem questiona o exemplo? Quem dá o exemplo?
Assim segue a repetição... Até minha cutucada entrou nesse jogo... Já ficou repetitivo falar dos nossos futuros candidatos...

sábado, 7 de agosto de 2010

Sem tempero

Pra quem viu o primeiro debate entre os candidatos à presidência do Brasil na televisão, esta expressão é unânime: “sem tempero”. Alguns vão tentar me convencer de que um candidato lunático animou a noite...

A emissora tentou ser imparcial, até que tinha regras para tal; mas a noite de debate ficou apenas com dois candidatos. O lunático reclamou, mas não adiantou. Ele inclusive reclamou bem antes, quando quase foi excluído de participar, vamos chamar assim, da “conversa entre amigos...”

O nervosismo dos candidatos foi notado até pelo bêbado (que assistia SP x Inter). O discurso pronto, ensaiado, já não agrada tanto. Tanto que a audiência foi pequena ... E o poder de síntese, nenhum deles mostrou que tem. Aliás, só um deles. O candidato que já tentou a vaga em outras eleições. Você ainda pode questionar, “mas eram só dois minutos para falar”.. Minha réplica: 30 segundos é tempo suficiente para dar uma informação!

Durante a “conversa entre amigos”, o twitter (microblog) “bombou”. Os internautas também não estavam satisfeitos com o que viam... Eram frases com piadinhas sobre o desempenho dos possíveis presidentes: “A Dilma está mais nervosa do que carne de terceira”, Ricardo Pipo – ator.

E isso é o pior... Na oportunidade de, de fato, debater; nós vimos discursos preparados, frases treinadas, estratégias (de tentativa) de controle e como sempre um “diferente”, no caso, o que assumiu o papel de lunático. E pra falar a verdade, eu tenho medo dessas diferenças... Da última vez, foi o metalúrgico, sindicalista que levou “a vaga”.

A menos de dois meses para eleição, para a escolha do “novo” presidente do país... Nossa comida continua sem tempero!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Cutucadas da Copa

A Copa do Mundo terminou... Nossa, que forma mais “piegas” de se começar um texto. Ainda mais para falar de Copa do Mundo. Nessa temporada, lemos e ouvimos cada texto, verdadeiras poesias, obras de arte... Eu, particularmente, adorei a cobertura feita pela imprensa nesse campeonato. E como não estou concorrendo à taça de melhor texto, o meu começa assim... A Copa terminou... Mas as cutucadas não...

Número 1: A seleção da Alemanha não levou a taça para casa. Só por causa do futebol, porque quando o assunto é cutucar, o técnico dessa seleção segurou a taça. Baita dedão no nariz... Bela cutucada! A taça do mundo é sua, Joachim...

A vice-campeã das cutucadas foi uma frase, desconheço a autoria, que circulou na internet logo depois que a seleção “amarelada” perdeu da Holanda: 1 dunga, 11 sonecas e 190 milhões de zangados. É, mais uma vez, a única taça que os brasileiros seguraram foi a tulipa. Eita! Que o povo bebeu...

A medalha de prata, eu entregaria ao Dunga... O que foi isso? Censura à imprensa, censura aos jogadores, censura aos treinos. A sorte do Dunga foi chegar ao Brasil e ficar sem surra... 2014 é logo ali, esse foi o consolo.

No quarto lugar, bem longe de um consolo, está o Movimento Cala Boca, Galvão. Surgiu na internet e ganhou tanta força que virou capa e matéria especial da Revista Veja... Eu disse bem longe do consolo porque, infelizmente, ele continuou narrando os jogos...

E para fechar, no último lugar, não menos importante, a repórter Ilse Scamparini. Apesar de estar com espanhóis, ela não segurou a taça; mas um leque laranja... A repórter entrou ao vivo, vestida com uma blusa de manga longa, abanando um leque laranja e reclamando do calor na Espanha (40 graus)... Estranho, no Rio, a temperatura também é alta e eu nunca vi repórter com microfone e leque... Espero que isso não vire moda...

É, porque na Copa do Mundo, a gente tenta, inventa e não faz diferente. É... 2014 é logo ali e pelo que vi... Tem muitas mãozinhas segurando a taça...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Papagaio de campanha (de novo)

Santana acordou com uma bela ressaca. Saiu da cama, ainda descalça, de blusa e calcinha. Foi até a cozinha onde preparou a cafeteira. O cheiro do pó provocou arrepios. Estava com estômago “zoado” demais por causa das incontáveis “Cuba-libres” que tomou na noite anterior. A festa foi patrocinada por Bento 35, candidato a prefeito, com grandes chances de levar o trono.

Bento 35 fez uma campanha de deixar qualquer concorrente sem cabelo. O candidato se inspirou em algumas “lendas brasileiras”. Chegava na favela, onde Santana morava, jogando aviãozinho de dinheiro, igualzinho Sílvio Santos em seu programa semanal. Reunia as famílias da favela e apresentava um tanto de eletrodoméstico. “Quer pagar quanto?” E o povo levava DVD, televisão, ferro de passar, aparelho de som, tudo por menos de R$ 5,00. Nem nas casas “Bahia” se viu preço assim.

O homem parecia santo. Selecionou bem aqueles enfermos e pagou vários tratamentos médicos, deu remédio e salvação para muitos. Nem “padim Cícero” fez tantos milagres na favela quanto Bento 35. A criança não enxerga. “Bota óculos na cara do minino, gente!” O velho não anda. “Tá aqui sua bengala”. O homem estava confiante. E Santana feliz! Eram churrascos, jantares, bailes regados a Funk, showmícios. Showmício?! Mas isso não estava proibido? “A proibição é coisa do demú. A campanha é minha, faço como quiser”. Nem a tropa federal conseguiu dar limites à Bento 35.

Santana deu o primeiro gole no café, estava sentada na porta de sua casa. O sol era forte e, no fim do morro, alguns “muluques” jogavam bola. Olhou para camiseta e lembrou de Bento 35. “Graças a esse político filha da puta, consegui minha televisão e meu DVD. Tenho cesta básica que dá até pro fim do ano. Os remédios que ganhei vou vender fora do morro, já é uma grana extra...”

Às 16h, Santana chegou na zona eleitoral. A fila era pequena, apenas a “burocracia” impedia que o voto fosse mais rápido. Quando chegou a vez de Santana, calmamente, ela digitou os números de Aurélio que, nas pesquisas eleitorais, estava em segundo lugar. Foi pra casa e ligou a televisão, que ganhou de Bento 35. Lá pelas sete da noite, as emissoras começaram a divulgar os resultados preliminares. Aurélio estava na frente. Santana botou a roupa mais chique que tinha no guarda-roupa e foi para o barracão, onde os eleitores de Aurélio aguardavam “a sentença”.

“Venci! Porque o povo descobriu o meu valor, o povo viu que vou dar o melhor de mim e mudar a realidade. Essa gente precisa da diferença e ela sou eu...” Emocionado, Aurélio ainda tentava alongar a fala, ainda mais porque estava sendo entrevistado por um repórter de uma emissora de peso. Atrás dele e quase apoiando a cabeça em seu ombro estava Santana. Papagaio de pirata e... de campanha!
** Esse texto publiquei em outubro de 2008, aqui no blog. Como ele é atual, vale o bis...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Cinco anos

Do primeiro mês de vida ao cinco anos de idade, coisas importantes acontecem na vida de uma criança. Ela descobre que tem membros, que tem paladar, olfato, que os objetos tem cores, cheiros... Elas descobrem sons, aprendem a ouvir, aprendem expressar suas vontades... Neste período, elas também desenvolvem sua personalidade e seu caráter. Exatamente, no quinto ano, ela “amadurece” socialmente, emocionalmente e mentalmente. Nesta semana, o Conselho Nacional de Justiça chegou nesta fase. Cinco anos de vida!

Como no desenvolvimento infantil, o CNJ amadureceu! Criado em 2005, para auxiliar o Judiciário, este Conselho já mostrou o tamanho de sua importância para a sociedade. Durante cinco anos, colecionou ações inovadoras como a Criação do Cadastro Nacional de Adoção, que reduziu o número de crianças sem família, o projeto Começar de Novo – um recomeço para os ex-presos, os Mutirões carcerários, que ajudaram a tirar das cadeias detentos que tinham cumprido suas penas. A resolução sobre o fim do nepotismo foi um marco para o Judiciário e exemplo para toda a administração pública. O tema virou inclusive súmula vinculante do STF.

A cada 15 dias, os 15 conselheiros do CNJ realizam uma sessão plenária, onde julgam, punem, assinam acordos, parcerias... Parcerias que vem dando resultado, principalmente, com os tribunais de Justiça espalhados pelo país. Por meio do CNJ, muitos já estão completamente informatizados, o que possibilita a celeridade e agilidade dos processos e ações. Por meio das inspeções, o Conselho identifica problemas administrativos e exige correções.

É, nesse aniversário de cinco, realmente, o CNJ tem o que comemorar... Cresceu e vem escrevendo sua história no Judiciário. A população brasileira é que ainda precisa amadurecer e explorar mais os avanços do Conselho...

sábado, 5 de junho de 2010

Teste Número 1

O que significa o número 1 para você?
Hoje, para mim, esse número no começo de um telefone pode significar “problema”... Já reparou que a imprensa (em Brasília) sempre tem um telefone com número 1 para te indicar... Samu, Procon, Governo, Detran, Polícia, Ceb, Caesb e sei lá mais o quê... O número 1 está presente!

A minha curiosidade era saber por que a “informante” nunca mostrou uma matéria sobre esses telefones, que funcionam muito mal. Um dia, eu – como cidadã - resolvi fazer o Teste Número 1. Liguei nos principais “órgãos” e tentei uma comunicação...

Primeiros resultados: Número 1, nunca atendem de primeira. Número 2, quando atendem; não resolvem o problema de primeira. Número 3, não são os primeiros em qualidade de atendimento. Aqueles serviços que são essenciais, segue o conselho! Se você de fato estiver precisando de ajuda é melhor ligar para um amigo...

O Teste Número 1 teve um resultado um pouco diferente quando liguei como jornalista... A resposta foi única: Senhora, por favor, procure a nossa Assessoria de Imprensa. Ela vai estar te ajudando. “Uai, o gerúndio não tinha sido proibido pelo ex-governador Arruda?”

Enfim, como aqueles testes de revistas de adolescente, o meu (Teste Número 1) também não deu certo...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Inauguração de... maquetes


Todo mundo já falou do assunto e eu serei incluída nesse “generalismo”: todo mundo! Foi dada a largada para a disputa eleitoral de 2010. Não é novidade que teremos que escolher nosso novo presidente, governadores, senadores e deputados; claro, sem saber o que alguns deles fazem... O importante mesmo é apertar a tecla verde: FIM.

Enquanto a gente só pensa no fim, nossos candidatos se preocupam, cada vez mais, em inovar... Até mesmo na maneira de enganar! A moda agora é inaugurar maquetes, placas e pedra fundamental. Hã, pedra?

O pior foi escutar que um “tal” governador estava inaugurando até placas para ser colocadas nas obras (que sequer saíram do papel)... E o detalhe, as placas precisavam ser levadas ao gabinete dele, assim, “evitaria” o risco de ser multado por propaganda antecipada. E o risco pela propaganda enganosa? Esse não existe...

Nesta disputa eleitoral veremos muitas inaugurações, mas não saberia dizer quantas delas de fato serão usadas pelo cidadão. Veremos recursos públicos desviados para inaugurações de maquetes e, talvez, veremos que, mais uma vez, não podemos fazer nada... a não ser apertar a tecla verde ou a vermelha: corrige!

terça-feira, 23 de março de 2010

Chove chuva...

Silvia saiu às oito da noite da redação e olhou para o céu, negro e chamativo. As ruas estavam alagadas. Levou mais de quarenta minutos para chegar em casa. Tentou ligar a luz... Casa escura, água fria e chuva lá fora. O silêncio caiu bem, tinha tempo que não sabia o que era isso. Água gelada? Só no calor para matar a sede, mas naquela noite o banho foi assim... Acendeu velas aromatizadas e abriu um bom vinho. A bebida na taça formava uma imagem destorcida. O vermelho se misturava com o laranja do fogo.

Silvia foi para janela e ficou olhando os pingos grossos que caiam. Uns sobre os telhados, uns na grama, outros nem chegavam ao chão. E outros refrescavam seus braços encostados na janela. Ao longe, o barulho da buzina fez Silvia lembrar que, a cada chuva, Brasília pára. O trânsito fica caótico. Aumentam os acidentes, batidas bobas por causa daqueles que insistem em andar colados na traseira. Outras mais graves. Grave mesmo é a situação dos que moram em invasões na capital. Os barracos são arrastados pela chuva. Famílias perdem tudo, roupa, comidas, móveis e perdem a dignidade.

O governo sabe que as famílias estão lá. Por que esperar a chuva? Talvez, porque isso é notícia e notícia chama imprensa e imprensa é publicidade gratuita e espaço pra fazer “politicagem”. As famílias desabrigadas e molhadas tentam recuperar o que sobrou do que um dia chamaram de casa. O governo como consolo diz: eles serão levados para os abrigos da cidade.

Silvia deu um intenso gole no vinho. Admirou sua casa. Se sentiu em uma fortaleza. Colocou o pijama e foi dormir. Na madrugada, os gráficos rodavam o jornal. A foto da manchete: uma criança descalça, com a chupeta na boca, olhando para o brinquedo coberto de lama. “Chove chuva, chove sem parar...”

*Crônica escrita por Marina Amaral e publicada no blog em 1° de outubro de 2009.